Vêm refletir comigo: como temos medo e culpa de sentir emoções "positivas"
- Psicologa Juliana O M Moura
- 1 de fev. de 2024
- 2 min de leitura

Nessa segunda-feira, durante nosso encontro no grupo de leitura do livro (temos encontros semanais e conversamos sobre o conteúdo do livro que estamos
lendo), teve uma parte do livro "Não Acredite em Tudo que Você Sente", de Robert L. Leahy, que me chamou a atenção e me fez perceber várias coisas.
Ele conta o caso de uma paciente que teve um término recente e achava que os sentimentos "ruins" que estava tendo nunca iriam passar. O trecho é o seguinte:
“Vamos dar uma olhada em como Judy preencheu o exercício. Judy, que estava abalada pelo rompimento com Mark, monitorou suas emoções durante uma semana inteira. Tinha a preocupação de que sua solidão, tristeza e desesperança persistiriam com grande intensidade. Mas descobriu que a solidão se reduzia a 0 quando estava conversando com uma amiga e que a tristeza se reduzia a 3 quando ia a um museu. Ela monitorou os sentimentos positivos e descobriu que tinha sentimentos de curiosidade, proximidade com os amigos e apreciação por uma obra de arte. Notou que os sentimentos de desesperança eram menores depois que se exercitava na academia. Quando estava no trabalho, as emoções negativas de solidão, tristeza e desesperança eram muito menores. Sua tristeza não era fixa e mudava no curso de algumas horas – a cada dia. Judy não só era especialmente ruim em prever suas emoções como também tinha a tendência a prever apenas emoções negativas.”
Eu fiquei presa nesse trecho porque me fez pensar sobre quantas vezes temos dificuldades de deixar de lado sentimentos e emoções “negativas” pelo costume e identificação que já temos com elas? Ou ficar nesse lugar me faz me sentir pertencente às pessoas que eu amo?
Se eu me permitir sentir e assumir que estou feliz, vou continuar sendo aceita? Se eu deixar essa emoção de lado, vou continuar tendo atenção das pessoas que eu amo? Se eu sair desse papel de “coitadinha”, quais são as perdas que vou ter? Se as pessoas me virem felizes, o que vão pensar? Se eu estiver ganhando mais, o que vão falar de mim? Se eu fizer essa viagem, vou ter que dar satisfação para as pessoas, elas não vão me entender. Se eu comprar essa roupa, o que vão falar de mim?
Essas foram algumas reflexões que vieram desse trecho e que eu gostaria de compartilhar com você. Já me vi nesse lugar de não me permitir, de fugir, de não aceitar, de recusar estar em um lugar bom pelo medo de estar sendo injusta com as outras pessoas ou de pensar o que as pessoas vão pensar de mim. O medo do julgamento ou de não caber mais em lugares, situações e relacionamentos que estamos acostumados fazem com que a gente aceite menos do que merecemos.
Agora me conta, fez sentido para você? Quais emoções, sentimentos e situações você está aceitando só pelo medo de não pertencer?
Talvez, nesse primeiro momento, não faça sentido para você, e você até pense: "Imagina, eu vou abrir mão de coisas boas para mim só por causa do outro?" Pense por alguns dias, e voltamos a conversar. Se você achou válido esse conteúdo, me siga, salve e me chame no direct contando o que achou do texto.

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